Artesão das palavras.

Artesão das palavras,
Nasceu com o dom de moldar as sílabas alheias ao seu bel-prazer.

Emoldurava verdades que não eram suas
Em quadros feitos de mentira.
Queimava a argila de outras gargantas
E pintava estórias malucas, farsas absolutas.

Estátuas intocáveis,
Quadros invisíveis
E uma exposição de faz-de-conta
No museu das ilusões.

Todos se encantavam com sua arte,
Mas ele a odiava.
Sempre que precisava falar de si mesmo,
Era sua voz que se ausentava.

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Sinto muito.

Sinto.
Sinto muito.
Minto.
Quase nunca.
Mentira.
É que eu não sei a diferença.
Eu não entendo a falsa crença.
E não partilho essa doença.
Essa doença que contagia o mundo.

Sinto muito.

Tonto.

Observo e absorvo.
Tonto.
Ainda tento.
Atento a tanta mudança.
Mudo.
Calado, eu mudo.
Tudo muda.
Nada permanece.
E eu ainda permaneço.
Eu ainda tento.

Tonto.

Sangue.

O tempo é nosso maior tesouro.

E decidir quem ou o quê você vai presentear com o seu tempo e dedicar sua atenção e intenção é responsabilidade sua.
Me desculpa falar assim, mas não vou esperar ficar velho pra perceber que eu devia ter feito mais as minhas vontades do que daqueles que me são caros.

E não estou falando de caridade para terceiros e necessitados.
Falo das boas intenções para com todos aqueles que me rodeiam.
Não faz sentido nenhum projetar minhas forças para o bem das pessoas se elas não me pediram isso.

Você quer ajudar, quer agradar, quer emocionar, mas não recebe o mesmo em troca.
E não vai receber.
Esqueça essa parte.

Quando fala-se do livre-arbítrio não deve-se esperar nada.
Ou melhor, tudo! Com exceção daquilo que gostaríamos.

Decepção é somente consequência de escolhas mal feitas.

Não vale a pena dar o sangue.
São os outros que pagam por ele, mas é somente você que sabe o quanto ele lhe faz falta.

Sem razão.

Me lembro bem que, quando criança, me pegava pensando nos motivos da minha existência.
Por que nasci nessa família?
Por que nasci nesse lugar?
POR QUE EU SOU EU?

Exatamente… Eu pensava que poderia ter nascido no lugar de qualquer outra pessoa.
Pode parecer, no mínimo estranho, um garoto de quatro anos se questionar sobre sua identidade, mas a verdade é que eu me questiono até hoje.
Todos os dias, bons ou ruins, isso me inquieta.
Mesmo quando eu decido aceitar e não mais questionar, volto a me indagar algum tempo depois.

Se isso tudo é mesmo uma questão de opção, parece que eu não estou satisfeito com a minha.
E, pra mim, não há novidade nenhuma.

Aceitar e agradecer sem saber a razão, nunca foi meu forte.
Eu sei que estou errado. 
Mas por mais que eu saiba que depois que se conhece a verdade, estabelecemos um compromisso com ela, as verdades que eu conheço não me agradam.

E eu que aguente o eco delas.

Ainda bem.

Quem sou eu para usar minhas qualidades como modelo para outro alguém?
Quem sou eu para achar que sou melhor que aquele que segue o caminho do bem?
Incontáveis foram as vezes que parei, pensei e concluí
que minhas escolhas estavam certas porque faziam jus ao senso comum.
Mas, com tanta diversidade de personalidades,
o que é comum nesse universo de possibilidades?

Nem mesmo a rotina existe.
É a minha condição que me limita a enxergar o tempo como uma escala linear.
E ele não o é.
Só existe o AGORA.

E aprender ou ignorar, só cabe a mim.

Intuição, consciência, bom senso…
Muitos são os nomes da voz do coração.
E se o coração é meu, ele só vai ensinar o caminho certo PARA MIM.
Não existe mapa, não existe estrada.

Quem sou eu para querer seguir os passos de alguém?
Eu não sou ninguém.

Ainda bem.

Sobre o meu equilíbrio.

Me achei importante demais pra tudo isso.
Sempre me culpei pelo excesso e pela intensidade
E nem percebi que esqueci da vaidade.

O monumento do meu ego já fora tantas vezes derrubado e reconstruído
que o entulho é mais bonito.
É difícil admitir autoria do que eu mais repudio.
É difícil enxergar com os olhos da vítima, quando o crime é meu.
É difícil deixar de reagir.

A balança nunca encontra o meio até que eu encontre o meu próprio centro.